Uso do celular prejudica relações e cuidados em saúde
Descubra como o uso de celulares afeta relações interpessoais e a qualidade do cuidado em saúde nos ambientes clínicos.

O impacto do celular nas relações interpessoais e na saúde
Você já se pegou checando o celular no meio de uma consulta ou reunião de equipe? Em ambiente clínico, segundos de atenção desviada podem corroer confiança, empatia e resultados. O uso do celular em ambiente de saúde é, ao mesmo tempo, ferramenta e risco: facilita registros, acesso a diretrizes e teleatendimento, mas, quando impulsivo, promove phubbing em consultórios — o ato de priorizar a tela e “silenciar” quem está à frente.
Pesquisas recentes apontam que notificações e o uso automático do aparelho acionam circuitos de recompensa, tornando difícil manter o foco e a presença clínica. Para o paciente, isso se traduz em menor percepção de escuta, pior satisfação e dúvidas sobre a qualidade do cuidado; para equipes, em ruído de comunicação, retrabalho e atrasos. Em um país onde o smartphone já integra a rotina assistencial, a chave está no uso intencional e transparente, alinhado à humanização no atendimento médico.
Neste artigo, vamos analisar: como o phubbing afeta as relações interpessoais na saúde e o vínculo terapêutico; os impactos de distrações digitais na coordenação entre profissionais; e estratégias práticas de uso consciente — da explicação breve sobre o motivo do celular à configuração de notificações e acordos de equipe. No próximo tópico, aprofundaremos os riscos do phubbing e recomendações acionáveis para o dia a dia clínico.
Phubbing e distrações: riscos para o vínculo e a humanização no atendimento clínico
Como antecipado na introdução, segundos de atenção desviada bastam para fragilizar relações interpessoais na saúde. O phubbing em consultórios — priorizar a tela e “silenciar” quem está à frente — é frequentemente automático e impulsionado por circuitos de recompensa, como apontam estudos em ciberpsicologia e especialistas como Kaitlyn Regehr. No uso do celular em ambiente de saúde, isso corrói a percepção de escuta, reduz confiança e pode afetar adesão e satisfação, pilares da humanização no atendimento médico.
Consequências práticas: pacientes relatam menor empatia quando o profissional alterna a atenção com notificações; em pediatria, há evidências emergentes de que a criança se sente menos valorizada quando pais ou cuidadores são interrompidos pelo smartphone durante interações clínicas, o que impacta autoestima. Em equipes, distrações digitais aumentam ruídos de comunicação e retrabalho, com potencial de atrasos e erros evitáveis.
Estratégias de uso consciente: 1) anuncie a intenção ao usar o aparelho (“vou checar a diretriz X/resultado Y”) e, quando possível, mostre a tela ao paciente; 2) aplique modos Foco com whitelist apenas para contatos de urgência e desative badges/sons; 3) defina zonas e momentos “sem celular” em consultórios e reuniões de equipe; 4) padronize protocolos de plantão (mensagens assíncronas, checagens programadas) para reduzir interrupções; 5) treine etiqueta digital clínica, incluindo registro no prontuário quando o uso do aparelho beneficia o cuidado. Assim, o uso do celular em ambiente de saúde torna-se intencional, preservando confiança, relações interpessoais na saúde e resultados clínicos.
Promovendo conexões saudáveis e humanização no ambiente clínico
Como vimos na introdução e no desenvolvimento, o uso do celular em ambiente de saúde é simultaneamente recurso clínico e fonte de distrações. Quando automático, favorece o phubbing em consultórios, fragilizando relações interpessoais na saúde, reduzindo a percepção de escuta e minando a confiança — efeitos descritos por especialistas como Kaitlyn Regehr e observados também em equipes multiprofissionais. A boa notícia: intenção e transparência transformam o hábito em aliado da humanização no atendimento médico.
Principais aprendizados e próximos passos:
- Explique sempre o motivo do uso (“Vou checar a diretriz X/resultado Y”) e, se possível, compartilhe a tela com o paciente.
- Padronize modos Foco com exceções apenas para urgências; silencie badges e sons durante consultas e discussões clínicas.
- Combine “janelas sem celular” em reuniões e passagens de plantão; registre em protocolo quando e como checar mensagens.
- Treine etiqueta digital e simule cenários de interrupção para proteger o vínculo terapêutico e a segurança do cuidado.
- Meça impacto: monitore satisfação/adesão e revise rotinas digitais trimestralmente com a equipe.
Em síntese, a presença clínica começa por escolhas intencionais. Ao tornar explícito o porquê do telefone e reduzir interrupções, fortalecemos a confiança, preservamos o vínculo e sustentamos a humanização no atendimento médico — sem abrir mão da eficiência e da colaboração no cuidado.
Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2024/09/12/celular-sabota-relacoes-e-produtividade.ghtml
