Recorde de mortes infantis evitáveis: retrocessos e soluções
Brasil atinge recorde de mortes infantis evitáveis em 2025. Saiba como fortalecer a imunização infantil nas práticas profissionais.

Recorde em 2025 nas mortes infantis evitáveis acende um alerta para a saúde pública. Após quedas até 2023 em causas evitáveis no geral, dados recentes apontam alta nas mortes por doenças preveníveis com vacina — com sarampo e coqueluche voltando a vitimar crianças, sobretudo no Norte e Nordeste, em paralelo à queda na cobertura vacinal. Nesta introdução, traçaremos o panorama dos números e tendências, os determinantes (lacunas na imunização infantil, hesitação vacinal e desigualdades regionais), e o que isso demanda da prática clínica: checagem ativa do calendário, educação em saúde com famílias e reforço da documentação clínica e dos registros. Ao longo do artigo, discutiremos estratégias para reverter o quadro e fortalecer as políticas de vacinação.
Como antecipado na introdução, o salto recente nas mortes infantis evitáveis resulta de fatores interligados. A queda na cobertura vacinal — mais acentuada no Norte e Nordeste — deixa coortes suscetíveis e reabre espaço para doenças preveníveis com vacina, como sarampo e coqueluche. Alertas da OPAS/OMS e UNICEF sinalizam risco elevado de surtos e aumento de óbitos, associado à hesitação e à desinformação. Somam-se desigualdades de acesso (barreiras geográficas, estoques irregulares, cadeia de frio) e fragilidades nos sistemas: imunização infantil interrompida, registros desatualizados e documentação clínica incompleta, que dificultam busca ativa e resgate. Na prática, checar a caderneta em todo contato, vacinar oportunisticamente e investir em educação em saúde são medidas imediatas e custo-efetivas.
Diante do avanço das mortes infantis evitáveis descrito acima, o profissional de saúde é chave para reverter a queda na cobertura vacinal. Em todo contato (pré-natal, puericultura, nutrição, psicologia), checar caderneta e SI-PNI/e-SUS, vacinar no mesmo dia se elegível e programar resgates. Pratique educação em saúde com escuta ativa, enfrentando mitos sobre imunização infantil e reforçando a proteção contra doenças preveníveis com vacina. Fortaleça a documentação clínica: registro nominal, doses, lotes, recusas e eventos adversos — base para busca ativa e vigilância. Integre-se à APS para mapear faltosos, enviar lembretes e ampliar horários, sobretudo no Norte e Nordeste. Suspeitas de sarampo ou coqueluche exigem notificação imediata.
Para conter as mortes infantis evitáveis, documentação clínica rigorosa é alicerce das políticas públicas. Como discutido, checagem de caderneta e educação em saúde só são efetivas com registro nominal confiável. No ponto de cuidado, registre doses, lotes, recusas e EAPV no SI‑PNI/e‑SUS; gere listas de faltosos e envie lembretes SMS/WhatsApp. Notifique imediatamente ao SINAN suspeitas de sarampo e coqueluche. Na gestão, monitore coberturas, abandono e bolsões por microárea, com dashboards e reconciliação semanal, para responder à queda na cobertura vacinal. Fortaleça microplanejamento, horários estendidos e vacinação extramuros (creches/escolas), com cadeia de frio e estoques estáveis. Diretrizes OPAS/UNICEF indicam que registros nominais e comunicação ativa ampliam adesão em imunização infantil e contêm surtos de doenças preveníveis com vacina.
Reverter o recorde recente de mortes infantis evitáveis — maior desde 2015 — exige foco e coordenação. Como discutimos, a queda na cobertura vacinal reabriu espaço para doenças preveníveis com vacina (sarampo, coqueluche). Caminhos práticos: checar caderneta e SI‑PNI/e‑SUS em todo contato; vacinar no mesmo dia e planejar resgates; integrar APS, ACS, escolas e CRAS para vacinação extramuros e horários estendidos; monitorar bolsões por microárea e enviar lembretes SMS/WhatsApp; fortalecer documentação clínica (doses, lotes, recusas, EAPV) e notificar imediatamente ao SINAN suspeitas. A educação em saúde com recomendação presumptiva e entrevista motivacional combate hesitação e amplia a imunização infantil. Protagonismo clínico hoje salva vidas amanhã.