Racismo estrutural: impacto na saúde cardiovascular
Entenda como o racismo estrutural contribui para doenças cardíacas e agrava hipertensão e diabetes, com foco em políticas de saúde e equidade.

O racismo estrutural é um fenômeno persistente que atua de forma sistêmica, atravessando diversas dimensões da sociedade brasileira e gerando impactos negativos, inclusive na saúde. Esse processo está fortemente ligado aos determinantes sociais da saúde, restringindo o acesso a serviços de saúde de qualidade, educação e condições adequadas de moradia, principalmente para a população negra. No Brasil, essas desigualdades contribuem para maior incidência de doenças cardíacas, hipertensão e diabetes, revelando a relação direta entre estruturas sociais e o risco cardiovascular. Ao longo deste artigo, exploraremos como fatores estruturais moldam padrões de adoecimento, destacando a necessidade de políticas públicas de saúde e equidade em saúde para combater essas iniquidades.
Um estudo recente do NIH demonstrou que o racismo estrutural está diretamente associado ao aumento de doenças cardiovasculares, mesmo quando considerado independentemente da etnia dos indivíduos. Pesquisadores analisaram dados de bairros com altos índices de discriminação estrutural e constataram taxas elevadas de hipertensão, obesidade e diabetes — doenças que compõem o principal grupo de fatores de risco cardiovascular. Esses achados reforçam que os determinantes sociais da saúde, como acesso a recursos, ambiente urbano e políticas públicas de saúde, influenciam o desenvolvimento dessas doenças mais do que fatores estritamente biológicos ou individuais. Para profissionais de saúde, esse cenário ressalta a urgência de incorporar a avaliação dos contextos sociais e de equidade em saúde ao planejamento e à abordagem clínica, avançando para além do modelo biomédico tradicional na prevenção e manejo da hipertensão, diabetes e outras doenças cardíacas.
Os determinantes sociais da saúde exercem papel central na perpetuação das desigualdades cardiovasculares no Brasil. Diversos estudos indicam que fatores como baixa escolaridade, insegurança alimentar, moradias precárias e dificuldade de acesso a serviços de saúde de qualidade elevam o risco de hipertensão e diabetes entre populações vulneráveis. Por exemplo, regiões periféricas com menor oferta de equipamentos públicos e espaços de lazer apresentam taxas mais altas de sedentarismo e obesidade, agravando o cenário de doenças cardíacas. Além disso, políticas públicas de saúde pouco sensíveis à questão da equidade tendem a reforçar essas disparidades. Para os profissionais de saúde, reconhecer a influência dos determinantes sociais é fundamental para um cuidado integral e efetivo, articulando estratégias multidisciplinares e advocacy por intervenções comunitárias voltadas à equidade em saúde.
Diversos estudos nacionais corroboram os achados internacionais sobre a influência do racismo estrutural e dos determinantes sociais da saúde nas doenças cardíacas. Pesquisas do Ministério da Saúde e institutos como Fiocruz apontam que a prevalência de hipertensão e diabetes é significativamente maior entre pessoas negras e moradores de áreas periféricas, mesmo após ajuste para fatores socioeconômicos. Segundo o Vigitel 2024, adultos negros possuem risco até 1,5 vez maior de desenvolver hipertensão comparados a brancos. Além disso, análises do DataSUS revelam maior frequência de internações e óbitos por doenças cardiovasculares em regiões historicamente marcadas pela exclusão social. Esses dados reforçam que, no Brasil, políticas públicas de saúde orientadas para a equidade precisam considerar a articulação entre racismo estrutural, acesso à saúde e condições de vida, especialmente no planejamento de estratégias de prevenção e cuidado às populações vulneráveis.
Para combater o impacto do racismo estrutural e doenças cardíacas, recomenda-se que equipes de saúde e gestores integrem dados sociais dos pacientes ao prontuário clínico, permitindo identificar fatores de vulnerabilidade, como condições de moradia, renda e acesso a serviços. Protocolos clínicos devem prever o rastreamento sistemático de determinantes sociais da saúde, com uso de instrumentos validados. Incentiva-se a capacitação contínua das equipes sobre equidade em saúde, além da articulação com políticas públicas de saúde voltadas à redução de desigualdades. Experiências exitosas envolvem parcerias com lideranças comunitárias e implementação de intervenções territorializadas para prevenção de hipertensão e diabetes em populações expostas a contextos de maior vulnerabilidade, reforçando o compromisso ético com a justiça social.
A compreensão do impacto do racismo estrutural e doenças cardíacas exige uma abordagem ampla e integrada. A literatura científica e as evidências brasileiras deixam claro: os determinantes sociais da saúde, as políticas públicas de saúde e a equidade em saúde são fatores-chave para a redução das desigualdades em hipertensão, diabetes e mortalidade cardiovascular. Profissionais de saúde têm papel fundamental ao acolher, mapear vulnerabilidades e adaptar condutas clínicas considerando o contexto social do paciente. O compromisso ético com a justiça social demanda integração de dados sociais ao cuidado e participação ativa na formulação de políticas que promovam equidade em saúde.
Para aprofundar o tema, acesse o artigo original: https://www.statnews.com/2025/10/31/structural-racism-impacts-health-nih-scientists-publish-new-study/