24 de novembro de 2025

Plano Mercúrio: Proteção Contra Mercúrio e Fortalecimento do SUS

Conheça o novo Plano Mercúrio do Ministério da Saúde e seu impacto na proteção de grupos vulneráveis e modernização do SUS.

Plano Mercúrio: Proteção Contra Mercúrio e Fortalecimento do SUS

Ministério da Saúde lança Plano Mercúrio nacional

Na esteira da COP 30, em Belém, o Brasil dá um passo histórico com o Plano Mercúrio Ministério da Saúde — uma estratégia nacional para conter a exposição ao mercúrio em povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e outros grupos vulneráveis. A OMS classifica o mercúrio entre os 10 principais químicos de preocupação para a saúde pública, e estudos recentes na Amazônia (Fiocruz/ISA) já identificaram prevalências superiores a 50% de níveis elevados em comunidades expostas, com risco ampliado para gestantes, crianças e trabalhadores do garimpo.

O Plano prevê um centro de referência na Amazônia, o fortalecimento do SUS com expansão da capacidade laboratorial (rede LACEN), integração de dados intersetoriais e ações contínuas de vigilância até 2030. Para profissionais de saúde, isso significa mais acesso a biomonitoramento (sangue e cabelo), protocolos clínicos para intoxicação por metilmercúrio, fluxos de notificação qualificada (SINAN/e-SUS) e apoio a ações multi-institucionais frente ao garimpo ilegal. A iniciativa também alinha saúde indígena, atenção primária e vigilância ambiental, promovendo respostas rápidas e baseadas em evidências.

Nesta série, começamos apresentando o escopo e a relevância do Plano para reduzir iniquidades. Na próxima seção, detalharemos os impactos práticos para sua atuação no SUS: prevenção, investigação clínica, vigilância epidemiológica, integração de dados e colaboração intersetorial.

Impactos do Plano Mercúrio para profissionais de saúde e o SUS

Dando sequência ao panorama inicial, o Plano Mercúrio Ministério da Saúde se traduz em mudanças práticas para a linha de cuidado no SUS, com foco em grupos vulneráveis à exposição ao mercúrio e na redução de iniquidades.

  • Fortalecimento do SUS e da rede LACEN: ampliação da capacidade diagnóstica para mercúrio em sangue e cabelo, padronização de métodos e redução do tempo de laudo. Centros de referência na Amazônia devem ofertar, progressivamente, especiação (metilmercúrio) e suporte clínico-toxicológico.
  • Monitoramento clínico e linhas de cuidado: triagem ativa no e-SUS APS e DSEI (ocupação, consumo de pescado, sinais neurológicos), priorização de gestantes, crianças e trabalhadores expostos. Protocolos clínicos orientam manejo de sintomas neurológicos, nefrológicos e do desenvolvimento, com apoio de nutrição e saúde mental, essenciais para a saúde indígena e ribeirinha.
  • Prevenção e educação em saúde: aconselhamento alimentar para reduzir risco (preferir espécies de menor cadeia trófica; evitar grandes predadores), comunicação culturalmente adequada e materiais educativos bilíngues, alinhados a lideranças comunitárias.
  • Vigilância epidemiológica e integração de dados: notificação compulsória de intoxicação exógena no SINAN, integração GAL/LACEN–e-SUS–SIASI/DSEI, georreferenciamento de “hotspots” e painéis intersetoriais até 2030 para orientar ações no território.
  • Enfrentamento ao garimpo ilegal: documentação clínico-laboratorial qualificada subsidia operações com órgãos ambientais e de justiça, preservando segurança e confidencialidade das comunidades.

Na prática: uma UBS ribeirinha pode instituir triagem padronizada, organizar mutirões de coleta de cabelo com o DSEI, acionar o LACEN para confirmação e referenciar casos ao centro de referência regional — fechando o ciclo prevenção–diagnóstico–cuidado.

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Desafios e oportunidades futuras na saúde pública

Como vimos, o Plano Mercúrio Ministério da Saúde inaugura uma resposta sistêmica para reduzir iniquidades decorrentes da exposição ao mercúrio, especialmente na saúde indígena, ribeirinha e quilombola. O fortalecimento do SUS — com laboratórios LACEN, integração de dados e vigilância até 2030 — cria condições para cuidado longitudinal, mas impõe desafios: logística em áreas remotas, padronização de fluxos, proteção de dados sensíveis e sustentabilidade financeira.

Recomendações práticas para a ponta do cuidado:

  • Instituir triagem padronizada de risco no e-SUS APS/DSEI (ocupação, espécie e frequência de pescado, sintomas neurológicos) e priorizar gestantes, crianças e trabalhadores expostos.
  • Acionar o LACEN para biomonitoramento (sangue e cabelo), garantir cadeia de custódia e registrar resultados no prontuário, integrando GAL–e-SUS–SIASI.
  • Notificar intoxicação exógena no SINAN e referenciar casos aos centros de referência com suporte clínico-toxicológico.
  • Ofertar aconselhamento alimentar culturalmente adequado (preferir espécies de menor cadeia trófica) com apoio de nutrição e saúde mental.
  • Mapear “hotspots” e articular ações intersetoriais seguras contra o garimpo ilegal, preservando a confidencialidade comunitária.

Com governança, capacitação continuada e indicadores de processo/resultado, a rede consegue transformar evidências em cuidado no território, consolidando os ganhos do Plano e ampliando a proteção de grupos vulneráveis.

Fonte: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/novembro/como-parte-das-acoes-do-brasil-na-cop-30-ministerio-da-saude-lanca-plano-mercurio

Escrito por
Dr. Marcos Ladeira
Dr. Marcos LadeiraOrtopedista e Traumatologista
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