Brasil amplia rastreamento oncológico feminino em regiões vulneráveis
Novo projeto fortalece detecção precoce de câncer e uso de IA na Atenção Primária do SUS.

Brasil investe em rastreamento oncológico para mulheres
Em um dos movimentos mais estruturantes da última década, o Ministério da Saúde, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, lança um projeto nacional para organizar o rastreamento oncológico feminino nas regiões Norte e Nordeste — onde a incidência e a mortalidade por câncer de mama e câncer do colo do útero são mais altas. O esforço, no âmbito do PROADI-SUS (proadi-sus), combina ciência da melhoria, gestão de processos e inteligência artificial na saúde para qualificar a Atenção Primária à Saúde (atenção primária saúde), com foco em populações historicamente negligenciadas (negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, transexuais e pessoas privadas de liberdade).
A relevância é inequívoca: o INCA estima cerca de 73 mil novos casos/ano de câncer de mama e 17 mil de câncer do colo do útero no país. Ao padronizar fluxos, fortalecer a documentação clínica estruturada e ampliar o acompanhamento longitudinal, a iniciativa busca reduzir desigualdades, melhorar a qualidade do cuidado e alinhar-se às metas da OMS de controle e eliminação do câncer do colo do útero.
Ao longo do artigo, detalharemos como as diretrizes atualizadas e o uso de IA podem otimizar triagem, leitura de mamografias e citologias, gestão de filas e busca ativa, além dos benefícios e desafios esperados até 2026. Na próxima seção, discutiremos como tecnologia e IA fortalecem a APS e sustentam um modelo nacional de rastreamento com impacto real na prática de profissionais de saúde.
Tecnologia e IA no fortalecimento da Atenção Primária e redução das desigualdades
Dando sequência ao panorama inicial, o projeto no âmbito do PROADI-SUS (proadi-sus) aposta em diretrizes atualizadas e inteligência artificial na saúde para organizar o rastreamento oncológico feminino e reduzir iniquidades na atenção primária saúde.
As diretrizes reforçam a centralidade da APS: ampliação do uso de teste de HPV e da auto-coleta para o câncer do colo do útero, mamografia na faixa etária preconizada para câncer de mama, busca ativa e seguimento longitudinal via e-SUS APS/SISCAN. Na prática, isso se traduz em: (1) modelos preditivos que priorizam quem está atrasado no rastreio ou perdeu seguimento; (2) pré-leitura apoiada por IA de mamografias e citologias, otimizando o tempo do radiologista/citopatologista; (3) teleradiologia e telecolposcopia para reduzir vazios assistenciais; (4) unidades móveis com agendamento inteligente para populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas, negras, transexuais e pessoas privadas de liberdade.
Benefícios esperados até 2026 incluem maior cobertura efetiva, padronização de processos, redução do tempo entre exame anormal e confirmação diagnóstica e melhor qualidade dos dados para gestão. Desafios previstos: conectividade em áreas remotas, qualificação contínua das equipes, governança de dados e mitigação de vieses algorítmicos, além da validação local das soluções de IA.
Para profissionais, recomenda-se: registrar dados estruturados, usar listas de trabalho preditivas para convocação, aderir a protocolos (BI-RADS/colposcopia) e monitorar indicadores de ciclo (convocação, comparecimento, tempo para biópsia e tratamento). Esses pilares sustentarão os resultados robustos que o projeto pretende demonstrar nacionalmente até 2026.
Perspectivas para o rastreamento nacional e avanços futuros
Com as bases lançadas na atenção primária saúde e o uso responsável de inteligência artificial na saúde, o Brasil tem a oportunidade de transformar o rastreamento oncológico feminino em um modelo nacional, equânime e sustentável. Como discutido nas seções anteriores, a combinação de diretrizes atualizadas, automação preditiva, teleradiologia/telecolposcopia e unidades móveis no âmbito do proadi-sus deve resultar em maior cobertura efetiva, acompanhamento longitudinal qualificado e menor tempo entre achado anormal e confirmação diagnóstica em câncer de mama e câncer do colo do útero.
Até 2026, a expectativa é consolidar evidências para escala nacional: processos padronizados no e-SUS APS/SISCAN, filas organizadas por risco e indicadores operacionais acompanhados em painéis de gestão. Para equipes da APS, recomenda-se: (1) registrar dados estruturados e aderir a protocolos (BI-RADS e colposcopia); (2) usar listas preditivas para busca ativa e reconvocação; (3) ampliar competências em auto-coleta de HPV, acolhimento culturalmente sensível e governança de dados; (4) monitorar cobertura, comparecimento, perda de seguimento e tempo para biópsia/tratamento; (5) garantir conectividade e fluxos de referência/contrarreferência.
Ao demonstrar resultados robustos nas regiões Norte e Nordeste, o projeto pavimenta a expansão para todo o país, apoiando metas da OMS e elevando padrões assistenciais no SUS. O próximo passo é manter a qualificação continuada e a vigilância sobre vieses algorítmicos para assegurar que a inovação reduza, e não reforce, desigualdades.