23 de novembro de 2025

Brasil amplia rastreamento oncológico feminino em regiões vulneráveis

Novo projeto fortalece detecção precoce de câncer e uso de IA na Atenção Primária do SUS.

Brasil amplia rastreamento oncológico feminino em regiões vulneráveis

Brasil investe em rastreamento oncológico para mulheres

Em um dos movimentos mais estruturantes da última década, o Ministério da Saúde, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, lança um projeto nacional para organizar o rastreamento oncológico feminino nas regiões Norte e Nordeste — onde a incidência e a mortalidade por câncer de mama e câncer do colo do útero são mais altas. O esforço, no âmbito do PROADI-SUS (proadi-sus), combina ciência da melhoria, gestão de processos e inteligência artificial na saúde para qualificar a Atenção Primária à Saúde (atenção primária saúde), com foco em populações historicamente negligenciadas (negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, transexuais e pessoas privadas de liberdade).

A relevância é inequívoca: o INCA estima cerca de 73 mil novos casos/ano de câncer de mama e 17 mil de câncer do colo do útero no país. Ao padronizar fluxos, fortalecer a documentação clínica estruturada e ampliar o acompanhamento longitudinal, a iniciativa busca reduzir desigualdades, melhorar a qualidade do cuidado e alinhar-se às metas da OMS de controle e eliminação do câncer do colo do útero.

Ao longo do artigo, detalharemos como as diretrizes atualizadas e o uso de IA podem otimizar triagem, leitura de mamografias e citologias, gestão de filas e busca ativa, além dos benefícios e desafios esperados até 2026. Na próxima seção, discutiremos como tecnologia e IA fortalecem a APS e sustentam um modelo nacional de rastreamento com impacto real na prática de profissionais de saúde.

Tecnologia e IA no fortalecimento da Atenção Primária e redução das desigualdades

Dando sequência ao panorama inicial, o projeto no âmbito do PROADI-SUS (proadi-sus) aposta em diretrizes atualizadas e inteligência artificial na saúde para organizar o rastreamento oncológico feminino e reduzir iniquidades na atenção primária saúde.

As diretrizes reforçam a centralidade da APS: ampliação do uso de teste de HPV e da auto-coleta para o câncer do colo do útero, mamografia na faixa etária preconizada para câncer de mama, busca ativa e seguimento longitudinal via e-SUS APS/SISCAN. Na prática, isso se traduz em: (1) modelos preditivos que priorizam quem está atrasado no rastreio ou perdeu seguimento; (2) pré-leitura apoiada por IA de mamografias e citologias, otimizando o tempo do radiologista/citopatologista; (3) teleradiologia e telecolposcopia para reduzir vazios assistenciais; (4) unidades móveis com agendamento inteligente para populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas, negras, transexuais e pessoas privadas de liberdade.

Benefícios esperados até 2026 incluem maior cobertura efetiva, padronização de processos, redução do tempo entre exame anormal e confirmação diagnóstica e melhor qualidade dos dados para gestão. Desafios previstos: conectividade em áreas remotas, qualificação contínua das equipes, governança de dados e mitigação de vieses algorítmicos, além da validação local das soluções de IA.

Para profissionais, recomenda-se: registrar dados estruturados, usar listas de trabalho preditivas para convocação, aderir a protocolos (BI-RADS/colposcopia) e monitorar indicadores de ciclo (convocação, comparecimento, tempo para biópsia e tratamento). Esses pilares sustentarão os resultados robustos que o projeto pretende demonstrar nacionalmente até 2026.

Perspectivas para o rastreamento nacional e avanços futuros

Com as bases lançadas na atenção primária saúde e o uso responsável de inteligência artificial na saúde, o Brasil tem a oportunidade de transformar o rastreamento oncológico feminino em um modelo nacional, equânime e sustentável. Como discutido nas seções anteriores, a combinação de diretrizes atualizadas, automação preditiva, teleradiologia/telecolposcopia e unidades móveis no âmbito do proadi-sus deve resultar em maior cobertura efetiva, acompanhamento longitudinal qualificado e menor tempo entre achado anormal e confirmação diagnóstica em câncer de mama e câncer do colo do útero.

Até 2026, a expectativa é consolidar evidências para escala nacional: processos padronizados no e-SUS APS/SISCAN, filas organizadas por risco e indicadores operacionais acompanhados em painéis de gestão. Para equipes da APS, recomenda-se: (1) registrar dados estruturados e aderir a protocolos (BI-RADS e colposcopia); (2) usar listas preditivas para busca ativa e reconvocação; (3) ampliar competências em auto-coleta de HPV, acolhimento culturalmente sensível e governança de dados; (4) monitorar cobertura, comparecimento, perda de seguimento e tempo para biópsia/tratamento; (5) garantir conectividade e fluxos de referência/contrarreferência.

Ao demonstrar resultados robustos nas regiões Norte e Nordeste, o projeto pavimenta a expansão para todo o país, apoiando metas da OMS e elevando padrões assistenciais no SUS. O próximo passo é manter a qualificação continuada e a vigilância sobre vieses algorítmicos para assegurar que a inovação reduza, e não reforce, desigualdades.

Fonte: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/novembro/ministerio-da-saude-inicia-projeto-de-ampliacao-do-rastreamento-de-cancer-do-colo-do-utero-e-mama-nas-regioes-norte-e-nordeste-do-brasil

Escrito por
Dr. Marcos Ladeira
Dr. Marcos LadeiraOrtopedista e Traumatologista
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