26 de novembro de 2025

40 anos de combate à AIDS: avanços do SUS e desafios

Descubra os avanços do SUS e a luta multidisciplinar no combate ao HIV em 40 anos de resposta à AIDS no Brasil.

40 anos de combate à AIDS: avanços do SUS e desafios

40 anos de resposta à AIDS: retrospectiva e importância

Quatro décadas após os primeiros casos, a trajetória brasileira no combate ao HIV consolidou-se como exemplo de ciência, política pública e mobilização social. Ao celebrar 40 anos da resposta à AIDS, a exposição do Ministério da Saúde e do SESI Lab, no Dezembro Vermelho, resgata marcos que vão da organização inicial da vigilância e dos serviços especializados à universalização do acesso à terapia antirretroviral pelo SUS — hoje com mais de 870 mil pessoas em tratamento —, enquanto reforça pilares atuais como a prevenção combinada HIV, a ampliação da testagem e o enfrentamento do estigma. Para profissionais de saúde, trata-se de uma oportunidade de revisitar evidências, atualizar práticas e fortalecer a documentação e a participação ativa em redes de cuidado.

Nesta introdução, antecipamos os pontos que serão aprofundados na sequência: avanços do SUS em antirretrovirais, PrEP, PEP e autoteste; estratégias de prevenção combinada; expansão da testagem (incluindo fluxos de testagem antirretroviral SUS); e o papel das equipes multiprofissionais (medicina, enfermagem, psicologia, nutrição, farmácia e serviço social) na adesão, supressão viral (U=U) e qualidade de vida. No próximo tópico, detalharemos como a atuação integrada e a coordenação do cuidado, do território à atenção especializada, potencializam resultados clínicos e sociais, orientando a melhoria contínua dos serviços e o enfrentamento de desigualdades que ainda atravessam a resposta brasileira.

Avanços do SUS e o papel das equipes multiprofissionais no combate ao HIV

Como antecipado na introdução, os 40 anos da resposta à AIDS consolidaram um modelo em que ciência, políticas públicas e cuidado integrado se traduzem em impacto clínico e social. O SUS garante acesso universal à TARV desde 1996 e, hoje, com mais de 870 mil pessoas em tratamento, sustenta estratégias de início rápido (mesmo dia) com esquemas à base de dolutegravir, alcançando altas taxas de supressão viral (U=U) e redução de transmissão. Em paralelo, a prevenção combinada HIV — preservativos, PEP até 72h, PrEP ofertada no SUS e tratamento como prevenção — e a ampliação da testagem antirretroviral SUS (incluindo autoteste e fluxos na atenção primária/CTA/SAE) ampliam diagnóstico precoce e retenção.

O êxito do combate ao HIV depende da equipe multiprofissional: medicina (início rápido, manejo de comorbidades e coinfecções), enfermagem (aconselhamento, vacinação, seguimento e busca ativa), farmácia (adesão, interações e efeitos adversos), psicologia e serviço social (saúde mental, enfrentamento do estigma e redes de apoio) e nutrição (metabólico, lipodistrofia e segurança alimentar). Exemplos práticos: consulta compartilhada para início de PrEP; telemonitoramento de adesão pós-início; rastreio de depressão/uso de substâncias; reconciliação medicamentosa em transições de cuidado.

Para sustentar a melhoria contínua, a documentação qualificada é central: registros consistentes em prontuário, uso de sistemas como SISCEL/SICLOM para monitorar carga viral e dispensação, e participação ativa em comitês/linhas de cuidado e educação permanente. Essa governança clínica conecta vigilância, assistência e território, mantendo a trajetória de sucesso brasileira.

Banner Klinity

Desafios futuros e legado da resposta brasileira à AIDS

Encerrando este percurso, os 40 anos da resposta à AIDS confirmam que políticas públicas robustas, ciência e atuação multiprofissional do SUS sustentam o combate ao HIV. Como discutido, a universalização da TARV, a prevenção combinada HIV e a expansão da testagem antirretroviral SUS foram decisivas para diagnóstico precoce, início rápido e U=U, com mais de 870 mil pessoas em tratamento. O próximo passo é transformar conquistas em equidade sustentável.

Desafios persistem: desigualdades regionais e sociais, estigma e discriminação, queda da testagem entre jovens e populações-chave, coinfecções (tuberculose, hepatites) e o manejo do envelhecimento com HIV e saúde mental. Para alcançar as metas 95-95-95 até 2030, será crucial integrar inovação (autoteste, telemonitoramento, ARV e PrEP de longa ação quando disponíveis), fortalecer linhas de cuidado no território e qualificar a gestão por dados (SISCEL/SICLOM), mantendo o cuidado centrado na pessoa.

Ações práticas para equipes:

  • Intensificar a testagem antirretroviral SUS em APS e comunidade, com busca ativa e oferta de autoteste.
  • Expandir PEP/PrEP e iniciar TARV no mesmo dia, com suporte estruturado de adesão.
  • Integrar saúde mental, serviço social e nutrição ao seguimento clínico.
  • Monitorar carga viral e faltas, agindo sobre perdas de seguimento.
  • Promover linguagem não estigmatizante e educação permanente interprofissional.

Fonte: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/novembro/ministerio-da-saude-e-sesi-lab-relembram-em-exposicao-os-40-anos-de-resposta-do-brasil-a-aids

Escrito por
Dr. Marcos Ladeira
Dr. Marcos LadeiraOrtopedista e Traumatologista
Crie sua contaPronto para recuperar seu tempo e elevar o cuidado com seus pacientes?